segunda-feira, 27 de abril de 2026


 

Autor: E. Borges Nunes
Páginas: 122
Idioma: Português 

geral@edicoescosmos.pt



Aurélio Lopes é um autor português ligado sobretudo à antropologia cultural, ao estudo da religiosidade popular, do sagrado, dos rituais e das tradições portuguesas.
Nasceu em Cunqueiros, Proença-a-Nova, em 1954, e teve carreira no ensino superior. É licenciado em Antropologia Social, mestre em Sociologia da Educação e doutorado em Antropologia Cultural pelo ISCSP.
Editou vários livros nas Edições Cosmos, entre os títulos publicados lá estão:
- Devoção e Poder nas Festas do Espírito Santo (2004)
- A Sagração da Primavera (2007)
- Videntes e Confidentes – Um estudo sobre as aparições de Fátima (2009)
- Anátema, Devoção e Poder – A Santa da Ladeira (2014)
- O Profeta da Galileia (2023)
- O Retorno da Deusa-Mãe (2025)
As ideias centrais deste seu último livro;
o livro tende a explorar a
continuidade entre paganismo e cristianismo
A tese mais provável é que antigas deusas mediterrânicas e ibéricas deixaram marcas em cultos posteriores, sobretudo em figuras como a Virgem Maria e em devoções locais femininas.
A Mãe como arquétipo universal
A maternidade simbólica na proteção, alimento, acolhimento, fecundidade, aparece em muitas culturas.
O autor interpreta isso de forma antropológica.
Regresso contemporâneo do feminino sagrado

O “retorno” do título sugere que, no mundo atual, há renovado interesse por espiritualidades femininas, ecologia, culto da terra e releitura do papel da mulher no religioso. 

Aurélio Lopes é Professor do Ensino Superior. Licenciado em Antropologia Social, Mestre em Sociologia da Educação, Doutorado em Antropologia Cultural pelo ISCSP – Instituto Superior de Ciências Sociais e Humanas. Coordenador do Fórum Ribatejo e das coleções Raízes e Antropologia da Editora Cosmos. Tem-se debruçado sobre a cultura tradicional, especialmente no que respeita à Antropologia do Sagrado e às suas representações simbólicas e festivas, práticas tradicionais culturais e cultuais, nomeadamente no que concerne à religiosidade popular e às suas relações sincréticas com raízes ancestrais e influências mutacionais modernas.

quinta-feira, 16 de abril de 2026


 CAMÕES, O PINTOR DA POESIA.

No Dia Mundial da Arte, que por iniciativa da UNESCO se comemora a 15 de Abril, recorro a Luís de Camões, o vate da fama, o glorioso desventurado, o poeta da máxima picturalidade. Ele é e será sempre o artista da «longa inquietação» (como sintetizou Vasco Graça Moura) e o poeta dos «desconcertos do mundo» vistos a partir dos «altos cumes» (como o definiu Jorge de Sena).
Sai em breve o livro MANDA-ME AMOR CAMÕES... de autoria de Vítor Serrão e Mário Rui Silvestre (Edições Cosmos e S.P.A. Sociedade Portuguesa de Autores), com prefácio de José Jorge Letria e com capa de Pedro Catrola, integrado no programa das comemorações dos 500 anos do nascimento do vate (lançamento no dia 19 de maio na SPA e no dia 21 de maio na Biblioteca Passos Manuel na Assembleia da República).
Neste livro de 562 pp. assente em nova investigação e fontes primárias, os autores analisam justamente as componentes artísticas da obra do vate através da caracterização dos meios culturais, marginais, rebeldes e muitas vezes «suspeitos» em que o poeta se movia. Camões era amigo de pintores, iluminadores e calígrafos (Fernão Gomes, Jerónimo Corte-Real, Manuel Barata...), como melhor se vai sabendo, o que esclarece muito sobre o sentido dos seus repertórios criadores e dos seus arrojados 'vôos de nebri'.
A obra de Camões, o «aedo» do Amor, é um Mundo infindo, um remoinho que atrai, encanta, ofusca e conduz a novos labirintos e estranhas paisagens. Sendo assim, só cabe à investigação camoniana continuar nesta senda, buscando os seus sinais perenes, que brilham por entre as fímbrias da desmemória histórica. «Arte altíssima», em suma.

segunda-feira, 6 de abril de 2026


 Obras Literárias é a compilação das prosas de um autor ( Fernando Lopes Graça ) que confessa não ser literato nem escritor. Reflexões sobre a música é o vol. I destas mesmas obras, composto de escritos dispersos por várias revistas, aflorando muitas das questões estéticas, pedagógicas e sócio musicais, que o autor viria a desenvolver. Este livro publicado pela primeira vez em 1941. Posteriormente, foi publicada já pelas Edições Cosmos, em 1978, uma segunda edição muito aumentada, porque foi acrescida de um certo número de escritos vindos a público em anos subsequentes a 1941.


 "O Elogio da Loucura, a mais popular e viva de todas as suas obras satíricas, é um panfleto risonho contra o que ele tinha como os males da humanidade- a superstição, o fanatismo, a ignorância, a violência do mundo e do poderio, a falsa e grotesca ciência. Escrito no começo do século XVI, é o golpe de misericórdia assestado nas velhas idéias, nos velhos conceitos, no mundo que se desmoronava, abalado pelo vento do Renascimento."

O Elogio da Loucura, começa com um aspecto satírico para depois tomar um aspecto mais sombrio, numa série de orações, já que a loucura aprecia a autodepreciação, e passa então a uma apreciação satírica dos abusos supersticiosos da doutrina católica e das supostas práticas corruptas da Igreja Católica Romana. O ensaio termina com um testamento claro e por vezes emocionante dos ideais cristãos.

Quando se quebra um cristal, quebra-se o cristal, o valor mítico e o preço intrínseco dele. Tal como quando se corta com a palavra, o pensamento reclama, entristece, definha. Por isso, para que a palavra dita não seja apenas um eufemismo circunstancial, a sua comparência deve revelar o rosto da verdade. Só assim o encanto matinal da comunicação verbal se reproduzirá no esquecimento das inevitáveis opacidades de véspera e no ressurgimento de um amanhã cristalino. Desse modo, até o luar misturado com a escuridão deixa de ser um mistério e ambos passam a ser o motivo inequívoco de uma simbiose perfeita. É assim com a asserção da palavra, como com a ascensão da poesia. Uma e outra fundem-se para se revelarem a associação perfeita de algo real que se manifesta radiante e vai para além de qualquer mito.
 

quarta-feira, 1 de abril de 2026


 O tempo de Luís Vaz de Camões foi, apesar das conjunturas políticas e mentais adversas, uma época de extraordinário esplendor no campo da produção cultural portuguesa. O livro que Edições Cosmos tem em preparação, com lançamento previsto para outubro, vem clarificar melhor, nas suas heterogeneidades e variações, a importância desse momento glorioso e internacionalizado da nossa Cultura (os anos 1550-1580), em que poetas, pintores, arquitectos, historiadores e outros altos vultos souberam dar-se as mãos, resistindo aos ventos censórios da Inquisição e a outras pressões e constrangimentos, para afirmarem a sua liberdade de criar e de pensar.

 

No sentido de se associar às comemorações camonianas, o livro CAMÕES, ALTOS CUMES SCABELICASTRO E CORRELATOS, obra de 500 pp. inclui duas componentes: "Altos Cumes: seis Estudos sobre Camões e as artes do seu tempo"de Vítor Serrão, e "O Poeta de Portugal Nasceu em Santarém"de Mário Rui Silvestre. Um historiador de arte e um romancista unidos num olhar plural sobre o tempo do poeta.

 

A tese que defende o nascimento de Camões em Santarém ganha força argumentativa (e mais validade que as teses que advogam Chaves, Porto, Coimbra, Alenquer e Lisboa como terras de origem), sabendo-se que a vila onde nasceu e viveu Ana de Sá e Macedo, mãe do poeta, era mesmo um importantíssimo alfobre das artes e letras nacionais, ou seja, um espaço passível, no século XVI, de influenciar a formação inicial do vate. Nova documentação vem iluminar-nos sobre esse ambiente de fulgor criativo ["que se estende também ao lugar de Vaqueiros e à ‘corte na aldeia’ dos nobres Coutinho, mecenas de Luís Vaz"].

 

Atenção, pois, a um livro que, além da revelação de um poema inédito de Camões [" um jocoso mote com glosas"], traz novidades substantivas sobre a figura, as relações e as circunstâncias, sobre a Santarém do seu século, e sobre o tempo histórico em que viveu e produziu a sua obra.