quinta-feira, 16 de abril de 2026


 CAMÕES, O PINTOR DA POESIA.

No Dia Mundial da Arte, que por iniciativa da UNESCO se comemora a 15 de Abril, recorro a Luís de Camões, o vate da fama, o glorioso desventurado, o poeta da máxima picturalidade. Ele é e será sempre o artista da «longa inquietação» (como sintetizou Vasco Graça Moura) e o poeta dos «desconcertos do mundo» vistos a partir dos «altos cumes» (como o definiu Jorge de Sena).
Sai em breve o livro MANDA-ME AMOR CAMÕES... de autoria de Vítor Serrão e Mário Rui Silvestre (Edições Cosmos e S.P.A. Sociedade Portuguesa de Autores), com prefácio de José Jorge Letria e com capa de Pedro Catrola, integrado no programa das comemorações dos 500 anos do nascimento do vate (lançamento no dia 19 de maio na SPA e no dia 21 de maio na Biblioteca Passos Manuel na Assembleia da República).
Neste livro de 562 pp. assente em nova investigação e fontes primárias, os autores analisam justamente as componentes artísticas da obra do vate através da caracterização dos meios culturais, marginais, rebeldes e muitas vezes «suspeitos» em que o poeta se movia. Camões era amigo de pintores, iluminadores e calígrafos (Fernão Gomes, Jerónimo Corte-Real, Manuel Barata...), como melhor se vai sabendo, o que esclarece muito sobre o sentido dos seus repertórios criadores e dos seus arrojados 'vôos de nebri'.
A obra de Camões, o «aedo» do Amor, é um Mundo infindo, um remoinho que atrai, encanta, ofusca e conduz a novos labirintos e estranhas paisagens. Sendo assim, só cabe à investigação camoniana continuar nesta senda, buscando os seus sinais perenes, que brilham por entre as fímbrias da desmemória histórica. «Arte altíssima», em suma.

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